A gastronomia brasileira conquistou quatro posições entre os 100 melhores restaurantes do mundo em 2026, segundo o ranking The World’s 50 Best Restaurants. A relação foi anunciada nesta quarta-feira (4), durante uma cerimônia em Lima, no Peru, e reúne três estabelecimentos de São Paulo e um do Rio de Janeiro. O Tuju, na capital paulista, alcançou o 16º lugar e obteve a melhor colocação do país.

O Lasai, do Rio de Janeiro, aparece na 25ª posição. Já o Nelita e o Evvai, ambos de São Paulo, completam a representação brasileira em 54º e 68º lugares, respectivamente. Os dois primeiros integram a seleção principal dos 50 melhores, enquanto os demais fazem parte da lista ampliada, que vai até a 100ª colocação.

A edição deste ano teve como vencedor o Asador Etxebarri, restaurante do País Basco, na Espanha, comandado pelo chef Bittor Arginzoniz e conhecido por preparações feitas na brasa. O Gaggan, de Bangkok, ficou em segundo lugar, seguido pelo Alchemist, de Copenhague.

Tuju sobe 54 posições e conquista prêmio de melhor estreia

Sob o comando do chef Ivan Ralston, o Tuju foi o restaurante brasileiro mais bem colocado. A casa passou do 70º lugar, ocupado em 2025, para o 16º nesta edição. O avanço de 54 posições rendeu o prêmio Highest New Entry, destinado à entrada mais bem posicionada entre os 50 primeiros do ranking.

Localizado no Jardim Paulistano, em São Paulo, o Tuju desenvolve uma cozinha autoral baseada em pesquisa e sazonalidade. O menu degustação acompanha os ciclos climáticos da região, incluindo períodos de chuva, seca, umidade e vento. A proposta valoriza ingredientes brasileiros, produtores locais e o serviço como parte da experiência gastronômica.

Além do reconhecimento no The 50 Best, o restaurante conquistou três estrelas no Guia Michelin em abril de 2026, tornando-se, ao lado do Evvai, um dos primeiros estabelecimentos da América Latina a receber a distinção máxima da publicação. O Tuju também foi reconhecido na edição mundial de 2026 com o prêmio Art of Hospitality, dedicado à hospitalidade.

Lasai coloca o Rio de Janeiro entre os 25 primeiros

O Lasai, comandado pelo chef Rafa Costa e Silva, subiu do 28º lugar em 2025 para a 25ª colocação neste ano. O restaurante carioca trabalha com menus degustação que acompanham a disponibilidade dos ingredientes, com destaque para vegetais cultivados em hortas próprias e produtos adquiridos de pequenos agricultores.

A experiência é marcada pelo atendimento a um número reduzido de clientes e pela proximidade entre o público e a cozinha. Essa proposta valoriza a origem dos alimentos e o trabalho dos produtores, aspectos presentes na trajetória da casa. Na edição de 2026 do Guia Michelin, o Lasai manteve suas duas estrelas.

Nelita e Evvai completam a lista brasileira

O Nelita, no bairro de Pinheiros, aparece em 54º lugar e estreia na seleção mundial dos 100 melhores. Comandado pela chef Tássia Magalhães, o restaurante tem uma equipe de cozinha formada por mulheres e trabalha com referências da culinária italiana, combinadas a ingredientes e sabores brasileiros.

Também localizado em São Paulo, o Evvai ocupa a 68ª posição. A casa do chef Luiz Filipe Souza desenvolve a chamada cozinha Oriundi, que articula influências da imigração italiana com produtos brasileiros. Seu menu degustação apresenta preparos que exploram diferentes texturas e temperaturas e incorporam referências culturais dos dois países.

O Evvai também recebeu três estrelas Michelin em abril de 2026. A conquista, compartilhada com o Tuju, marcou a chegada da classificação máxima do guia gastronômico ao Brasil e à América Latina. No ranking internacional, os dois restaurantes se juntam ao Nelita e ao Lasai como representantes do país.

Como funciona o ranking dos melhores restaurantes do mundo?

Criado em 2002 e organizado pela empresa britânica William Reed, o The World’s 50 Best Restaurants é elaborado a partir de votos de uma academia internacional formada por mais de 1.100 profissionais e conhecedores de gastronomia. O grupo está distribuído em 28 regiões e inclui chefs, donos de restaurantes, críticos, jornalistas especializados e viajantes com experiência gastronômica.

Os votantes escolhem dez estabelecimentos onde tiveram suas melhores experiências nos 18 meses anteriores à votação. O ranking não utiliza uma pontuação técnica fixa para pratos, serviço ou ambiente. A classificação reflete a avaliação dos participantes, segundo as regras da organização. Por isso, trata-se de uma seleção de experiências gastronômicas, e não de uma medida universal de qualidade.

Restaurantes que já conquistaram o primeiro lugar passam para o grupo Best of the Best e deixam de disputar as edições seguintes. Foi o caso do Maido, de Lima, vencedor de 2025. A mudança abriu espaço para um novo líder na lista de 2026.

A presença de quatro casas no levantamento internacional amplia a visibilidade da gastronomia brasileira e de diferentes propostas de cozinha autoral. O resultado também evidencia o destaque de São Paulo, com três restaurantes, e do Rio de Janeiro, com um representante entre os 25 primeiros.