Três portas. Três universos. E uma enorme dificuldade de escolher por onde começar.
No número 38 está La Glace Alain Ducasse, a sorveteria. O ambiente tem aquela elegância discreta que acompanha as casas do chef, mas aqui a experiência é mais leve, escolher um sabor, receber o sorvete e sair caminhando pelas ruas de Paris.
Chocolate, baunilha, pistache, frutas e criações que valorizam os ingredientes aparecem em versões cremosas e delicadas. É o tipo de sorvete que faz a gente parar de conversar por alguns minutos.
Só que basta dar alguns passos.
No número 40 está Le Chocolat Alain Ducasse, a Manufacture de Chocolat. E aqui o passeio ganha outra personalidade, o chocolate é tratado quase como uma matéria-prima preciosa. As amêndoas de cacau são trabalhadas na própria Manufacture e transformadas em tablettes, pralinés, ganaches e outras pequenas joias de chocolate, a vitrine é uma provocação, você entra pensando em comprar uma lembrança para alguém e sai fazendo contas para descobrir quantas caixas cabem na mala.
E então vem a terceira porta.
No número 42 está Le Biscuit Alain Ducasse.
Biscoitos, cookies e outras criações de pâtisserie ocupam as prateleiras, com uma proposta que valoriza ingredientes e texturas. É talvez a loja mais perigosa das três, porque chocolate e sorvete são desejos evidentes, mas biscoito tem aquela capacidade de parecer uma compra perfeitamente razoável.
No fim, as três lojas acabam formando um pequeno roteiro gastronômico dentro da cidade. Você pode começar pelo sorvete, seguir para o chocolate e terminar com biscoitos, ou simplesmente entrar nas três e aceitar que Paris não foi feita para quem pretende resistir a todas as tentações.
E há algo muito interessante nessa sequência.
Glace, chocolat, biscuit.
Frio, chocolate e forno.
Alain Ducasse, um dos grandes nomes da gastronomia francesa, transformou essa pequena parte da Rue de la Roquette em uma espécie de corredor dedicado aos prazeres doces.
Não é preciso reservar mesa, não é preciso planejar o dia inteiro, basta








caminhar pela Bastille e deixar que as três vitrines façam o trabalho.
Porque em Paris existem monumentos que a gente precisa conhecer.
E existem endereços que a gente simplesmente precisa provar.
Esses três, definitivamente, pertencem à segunda categoria.

