A forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo na tarde de quarta-feira (14) deixou uma mulher morta, provocou alagamentos em diferentes regiões e causou transtornos no trânsito e no transporte público. Um dos pontos mais afetados foi o túnel do Anhangabaú, no centro da capital, onde veículos ficaram submersos e motoristas precisaram abandonar os automóveis para escapar da água.
A vítima, de 47 anos, morreu após um deslizamento de terra na Brasilândia, na zona norte. Segundo o Corpo de Bombeiros, moradores retiraram a mulher dos escombros antes da chegada das equipes de resgate, mas a morte foi confirmada no local.
O temporal também provocou quedas de árvores, desabamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica. A Defesa Civil emitiu alertas severos à população diante do avanço das áreas de instabilidade.
Carros submersos e trânsito paralisado
No túnel do Anhangabaú, a água subiu rapidamente e surpreendeu motoristas que trafegavam pela região. Imagens registradas durante a tempestade mostram carros empilhados, ônibus ilhados e pessoas sobre os veículos tentando escapar da inundação. Pelo menos quatro pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, foram registrados 42 milímetros de chuva em apenas 40 minutos na região do Anhangabaú. O volume corresponde a aproximadamente 37% da média de precipitação esperada para todo o mês de outubro.
A administração municipal informou que as seis bombas responsáveis pela drenagem do túnel estavam funcionando, mas não conseguiram escoar a quantidade de água acumulada em tão pouco tempo.
Os transtornos se espalharam por outros pontos da cidade. A estação Japão-Liberdade, da Linha 1-Azul do Metrô, foi invadida pela água, enquanto o lago do Parque Ibirapuera transbordou e atingiu áreas de circulação de pedestres.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou mais de mil quilômetros de lentidão durante a noite. Diante da situação, a Prefeitura suspendeu o rodízio municipal de veículos na quarta-feira.
Ventos fortes e chuva intensa atingem diferentes regiões
De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), a capital entrou em estado de atenção para alagamentos às 15h25 de quarta-feira, abrangendo todas as regiões da cidade e as marginais Tietê e Pinheiros.
Na Vila Mariana, o transbordamento do córrego Sapateiro levou a região ao estado de alerta. As rajadas de vento também ganharam intensidade, chegando a 61,1 km/h no Aeroporto de Congonhas.
A combinação de calor, umidade elevada e uma área de baixa pressão atmosférica favoreceu a formação das tempestades. O solo já encharcado pelas chuvas anteriores aumentou o risco de deslizamentos e dificultou o escoamento da água.
São Paulo pode registrar novos temporais nesta quinta-feira (15)
Após os transtornos de quarta-feira, São Paulo amanheceu nesta quinta-feira (15) com tempo nublado e sem chuvas significativas nas primeiras horas da manhã. O rodízio de veículos foi retomado e a circulação dos trens do Metrô e das linhas metropolitanas voltou à normalidade.
Entretanto, a previsão meteorológica indica que a instabilidade continuará. Segundo a Defesa Civil, o acumulado de chuva pode chegar a 60 milímetros ao longo desta quinta-feira, com risco de novos alagamentos.
O CGE também prevê pancadas de chuva de moderada a forte intensidade entre a tarde e a noite, acompanhadas de rajadas de vento. As temperaturas devem variar entre 17°C e 25°C.
Na sexta-feira (16), a passagem de uma frente fria pelo litoral paulista deve manter o tempo chuvoso, com possibilidade de trovoadas e novos deslizamentos de terra em áreas vulneráveis.
A Defesa Civil orienta a população a evitar ruas alagadas, não atravessar enxurradas e manter distância de árvores e estruturas que possam ser atingidas pelo vento. Em situações de emergência, os moradores podem acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

