Foto: Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Rio de Janeiro foi confirmado como sede de dois grandes eventos internacionais em 2028: o 5º Fórum Internacional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e a 39ª edição do Congresso Mundial de Neuropsicofarmacologia, promovido pelo Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (CINP). É a primeira vez que ambos os encontros são realizados nas Américas, e a conquista simultânea reforça a posição da cidade como um dos destinos mais competitivos do mundo para o segmento de turismo de negócios.

Dois eventos, um mesmo movimento estratégico

As duas captações contaram com apoio técnico da Embratur e apoio institucional do Visit Rio, em um processo de candidatura conduzido em parceria com entidades internacionais e com o poder público municipal e federal. No caso do Fórum UIA, a candidatura foi liderada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pelo IAB-RJ, sob o lema "Uma cidade. Muitos mundos.", com eixo temático voltado a arquitetura, urbanismo e turismo sustentáveis. O evento, inédito nas Américas, será realizado entre maio e junho de 2028 e deve atrair mais de cinco mil congressistas — entre profissionais da arquitetura, acadêmicos, estudantes e formuladores de políticas públicas.

Já o Congresso Mundial de Neuropsicofarmacologia deve ganhar ainda mais escala por conta de sua realização conjunta com o Brain Congress, que historicamente reúne cerca de seis mil participantes, ampliando o impacto do evento na cidade.

Somados, os dois congressos têm expectativa de reunir aproximadamente 7,5 mil conferencistas, dos quais cerca de 70% devem vir do exterior — um perfil de público que é justamente o mais valorizado pelo mercado de eventos internacionais.

Por que turismo de negócios é uma vitrine estratégica

O segmento internacionalmente conhecido como MICE (sigla em inglês para reuniões, incentivos, conferências e exposições) é considerado um dos mais estratégicos do turismo mundial, por atrair visitantes de alto poder de consumo, com maior tempo de permanência e forte capacidade de geração de negócios locais. Diferentemente do turismo de lazer, o turista de negócios movimenta hotelaria, gastronomia, transporte e serviços especializados mesmo fora da alta temporada, distribuindo receita ao longo do calendário.

Com base na metodologia da International Congress and Convention Association (ICCA), que estima em US$ 418,59 o gasto médio diário do turista de negócios, a projeção é que os dois congressos injetem cerca de US$ 14,65 milhões na economia carioca — sendo US$ 10,46 milhões atribuídos ao Fórum UIA e US$ 4,19 milhões ao congresso do CINP.

O presidente da Embratur, Bruno Reis, destacou que o turismo de negócios funciona como vitrine de longo prazo, posicionando os destinos brasileiros como polos preparados para o intercâmbio de conhecimento e inovação. Já o presidente-executivo do Visit Rio, Luiz Strauss, ressaltou que a captação reforça a força da parceria público-privada e a capacidade da cidade de competir por grandes eventos internacionais.

Rio no radar global de congressos

A conquista dos dois eventos se soma a uma trajetória mais ampla de consolidação do Brasil no cenário internacional de congressos de alta complexidade. Ao longo de 2025, o país avançou na captação de encontros científicos e médicos de grande porte, com a Embratur atuando na articulação institucional, inteligência de mercado e apoio técnico à candidatura de eventos internacionais — estratégia que já rendeu ao Rio a confirmação da 26ª International AIDS Conference, também prevista para reunir cerca de dez mil conferencistas na cidade.

Para o poder público municipal, a expansão do calendário de grandes eventos é também parte de uma estratégia econômica de médio prazo: a Prefeitura do Rio projeta uma arrecadação de R$ 1,7 bilhão com eventos e turismo até 2028, distribuída entre marcos consolidados — como Carnaval e Réveillon — e a atração crescente de eventos de negócios e conhecimento, que ajudam a equilibrar a demanda turística nos meses historicamente mais fracos. Um posicionamento que ultrapassa os números

Mais do que o impacto econômico direto, sediar fóruns como o da UIA e o da CINP tem valor simbólico para o posicionamento do Rio de Janeiro como destino de conhecimento e inovação — não apenas como cidade de sol, praia e eventos culturais. A escolha da capital fluminense também a coloca em posição de destaque na disputa para se tornar a primeira Capital Mundial do Turismo Sustentável, honraria chancelada pela cooperação entre UIA e UNESCO.

Com infraestrutura testada em grandes eventos — das Olimpíadas de 2016 à Cúpula do G20 e ao Web Summit Rio — e um ecossistema de hotelaria, centros de convenções e serviços já rodado para públicos internacionais, o Rio de Janeiro consolida, com essas duas captações, um movimento que vai além do calendário de 2028: a construção de uma reputação duradoura como destino global para negócios, ciência e conhecimento.

Fontes: Embratur, Visit Rio, IAB-RJ, Prefeitura do Rio de Janeiro