E quando uma pequena peça usada no pulso ultrapassa os R$ 10 milhões, saber as horas acaba sendo apenas o detalhe mais simples da história.Eles acumulam títulos, contratos milionários e alguns dos salários mais altos do esporte. Fora dos gramados, porém, Cristiano Ronaldo, Neymar, Lionel Messi e outros nomes do futebol internacional dividem outra paixão: os relógios de luxo. Em alguns casos, uma única peça usada pelos craques ultrapassa a marca dos R$ 10 milhões.

Os modelos fazem parte de um mercado em que o valor não depende apenas do material utilizado. Edições limitadas, mecanismos extremamente complexos, pedras preciosas, trabalho artesanal e a procura de colecionadores ajudam a transformar determinados relógios em objetos que podem alcançar cifras milionárias. Uma reportagem publicada pelo ge nesta quarta-feira (30) reuniu algumas das peças com as quais estrelas do futebol já foram vistas publicamente.

Entre os exemplos estão relógios de Cristiano Ronaldo avaliados em cerca de R$ 10,2 milhões e de Neymar estimados em R$ 10,7 milhões. Lionel Messi, Pep Guardiola e Antoine Griezmann também aparecem na lista. A reportagem ressalta, no entanto, que não teve acesso às coleções completas e, por isso, selecionou modelos usados publicamente pelos nomes citados.

Neymar tem relógio produzido em apenas 30 unidades

Uma das peças que mais chama atenção pertence a Neymar. O brasileiro já foi visto usando o Richard Mille RM 68-01 Tourbillon Cyril Kongo, relógio cujo valor é estimado em aproximadamente US$ 2,1 milhões, cerca de R$ 10,7 milhões, segundo o ge.

Apresentado em 2016, o modelo nasceu da colaboração entre a Richard Mille e o artista francês Cyril Kongo. A produção ficou limitada a somente 30 exemplares, e o próprio mecanismo do relógio foi transformado em suporte para a obra do artista. A fabricante define a peça como uma união entre arte contemporânea e alta relojoaria.

O modelo conta ainda com um tourbillon, mecanismo associado a alguns dos relógios mecânicos mais sofisticados do mercado. A exclusividade ajuda a explicar por que peças como essa ganham destaque entre colecionadores e podem alcançar valores muito superiores aos encontrados em relógios produzidos em escala maior.

Neymar também mantém uma relação conhecida com esse universo. Durante uma visita a uma boutique da Jacob & Co., o jogador chegou a comprar um relógio avaliado em US$ 1 milhão. Ainda assim, a peça não seria a mais cara entre os modelos com os quais o brasileiro já foi visto.

Cristiano Ronaldo reúne diamantes, rubis e milhões no pulso

Se Neymar aposta em uma peça que mistura grafite e engenharia, Cristiano Ronaldo aparece com um modelo praticamente transformado em joia.

Um dos relógios mais valiosos associados ao português é o Franck Muller Imperial Tourbillon, avaliado em aproximadamente US$ 2 milhões, cerca de R$ 10,2 milhões. A peça reúne 474 diamantes em corte baguete e 70 rubis, posicionados de forma que praticamente não exista metal aparente entre as pedras.

A ligação de Cristiano Ronaldo com a alta relojoaria também se transformou em negócio. O jogador mantém uma parceria de longa data com a Jacob & Co., que desenvolveu uma coleção de relógios inspirada em sua carreira. A própria fabricante afirma que a relação entre Cristiano e o fundador Jacob Arabo começou há cerca de duas décadas e posteriormente evoluiu para uma colaboração comercial.

Nesse caso, o relógio ultrapassa a função de acessório e passa a integrar a própria marca CR7, com modelos que fazem referências à trajetória e à imagem do jogador.

Messi aposta na complexidade da Patek Philippe

Lionel Messi segue uma estética diferente, mas igualmente milionária. Segundo o ge, a coleção do argentino reúne diversos modelos da Patek Philippe, uma das fabricantes mais tradicionais da alta relojoaria suíça. Entre as peças destacadas está um Grand Complications em ouro rosa avaliado em cerca de US$ 1,9 milhão, ou R$ 9,7 milhões.

A linha Grand Complications reúne alguns dos mecanismos mais sofisticados desenvolvidos pela empresa. A referência 5531R, por exemplo, combina a indicação dos horários de diferentes fusos do planeta com um mecanismo de repetição de minutos capaz de indicar a hora por meio de sons.

Segundo a documentação da própria Patek Philippe, seu movimento é formado por 462 componentes. A caixa utiliza ouro rosa 18 quilates, enquanto o mostrador incorpora técnicas artesanais de esmaltação.

Neste segmento, portanto, o preço pode estar ligado menos à quantidade de pedras preciosas e mais à dificuldade de criar, montar e regular mecanismos compostos por centenas de pequenas peças.

Pep Guardiola também entra no clube dos milhões

A paixão pela relojoaria não termina nos jogadores. O técnico Pep Guardiola também possui uma coleção conhecida de peças de luxo e aparece na reportagem usando um Richard Mille RM 022 Tourbillon, avaliado em aproximadamente US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,6 milhões.

Já o meia-atacante francês Antoine Griezmann aparece com um dos modelos mais reconhecidos da Rolex entre colecionadores: o Cosmograph Daytona “Rainbow”. A peça chama atenção pelas safiras coloridas distribuídas ao redor do mostrador e tem valor estimado em aproximadamente US$ 600 mil, cerca de R$ 3 milhões. Cristiano Ronaldo também já foi visto usando o modelo.

Mesmo sendo o relógio de menor valor entre os exemplos reunidos pela reportagem, o Daytona Rainbow custa o equivalente a diversos imóveis no Brasil, uma dimensão que ajuda a traduzir o tamanho financeiro desse mercado.

Relógios também viraram negócio no futebol

A aproximação entre jogadores e grandes fabricantes não acontece somente por gosto pessoal. O futebol se tornou uma vitrine importante para marcas de alta relojoaria, que encontram nos atletas uma audiência global e uma associação imediata com sucesso, exclusividade e estilo.

O norueguês Erling Haaland, por exemplo, é embaixador oficial da Breitling. A relação avançou ao ponto de a fabricante desenvolver uma coleção Chronomat em parceria com o atacante, incluindo modelos de edição limitada com mostradores produzidos a partir de meteoritos.

Cristiano Ronaldo também possui sua linha com a Jacob & Co., enquanto outros jogadores aparecem constantemente em campanhas, eventos e ações promovidas por fabricantes do setor.

Nesse cenário, cada fotografia fora dos gramados também pode funcionar como uma vitrine. Um relógio visto no pulso de um dos jogadores mais famosos do planeta deixa de circular somente entre especialistas em relojoaria e passa a ser observado por milhões de pessoas.

Por que um relógio pode passar dos R$ 10 milhões?

As cifras podem causar espanto, mas são resultado de diferentes fatores. Algumas peças são produzidas em dezenas de unidades, outras contam com mecanismos que exigem centenas de componentes e meses de trabalho. Há ainda modelos construídos com ouro, diamantes, rubis, safiras e materiais desenvolvidos para setores como a indústria aeroespacial.

A raridade também pesa. Quando existe uma produção extremamente limitada e uma procura elevada de colecionadores, o relógio pode ganhar valor depois de deixar a boutique. Nesse mercado, o preço original nem sempre corresponde ao valor pelo qual a mesma referência será encontrada anos depois.

No futebol, esses objetos ganharam ainda outra camada. Relógios milionários se tornaram parte da construção visual de alguns dos atletas mais conhecidos do mundo, aproximando esporte e mercado de luxo em uma relação que movimenta publicidade, colecionismo e cifras tão impressionantes quanto os salários pagos dentro de campo.