À frente da Kati Speck D, a designer transforma repertório visual em projetos com conceito, função e identidade
Antes de definir flores, mobiliário ou paleta de cores, Kati Speck procura entender o que sustenta cada escolha. À frente da Kati Speck D, a designer e produtora de eventos construiu uma metodologia em que decoração, funcionalidade e experiência são tratadas como partes de um mesmo projeto.
Sua formação em design de produto aparece diretamente nessa construção. Ao longo da trajetória no mercado de eventos, ampliou sua atuação para decoração, produção e desenvolvimento dos ambientes, mantendo o olhar de design como base para cada decisão. O trabalho considera não só a composição visual, mas também iluminação, circulação, proporção e uso dos espaços.
Em 2025, seu trabalho foi reconhecido no Party Stars. Posteriormente, o convite para integrar o júri da premiação colocou a profissional em uma nova posição dentro do mercado, agora também responsável por analisar projetos desenvolvidos por outros nomes do setor.
Kati discursa no palco durante cerimônia de premiação | Foto: Acervo pessoal
Quando referências deixam de ser apenas referências
As primeiras etapas de um projeto costumam reunir informações bastante diferentes. Imagens salvas no Pinterest e no Instagram chegam acompanhadas de referências de arquitetura, moda, viagens, cores, lugares e memórias. Segundo Kati, o trabalho não consiste em reproduzir esse conjunto, mas em descobrir o que existe por trás dele.
“Referência não é projeto”, resume. Em vez de acrescentar elementos continuamente, ela considera que a identidade começa a aparecer quando consegue retirar aquilo que não pertence à proposta.

Bastidores revelam a criação de flores cenográficas em grande escala | Foto: Acervo da marca
Uma fotografia escolhida pelos noivos, por exemplo, pode chamar atenção não pela decoração completa, mas pela luz, textura, proporção ou sensação criada naquele ambiente. Por isso, o processo procura identificar o motivo de cada escolha antes de transformá-la em uma decisão de projeto.
A pergunta também muda ao longo do processo. Em determinado momento, deixa de importar apenas se uma mesa, flor ou determinada cor funciona visualmente. A questão passa a ser mais direta: “isso pertence a essa história?”
É a partir dessa seleção que referências inicialmente desconectadas começam a assumir uma direção comum. A identidade aparece quando as escolhas fazem sentido para aquele casal e dificilmente poderiam ser transferidas, sem alterações, para outra celebração.
Luz e circulação também desenham um casamento
O projeto, no entanto, não se limita aos elementos visuais. Iluminação, circulação e distância entre mobiliários também são consideradas desde as primeiras etapas.
Entre esses fatores, a produtora aponta a luz como um dos que mais interferem na percepção do ambiente. Em sua metodologia, a iluminação ajuda a determinar profundidade, cores, pontos de destaque e até as áreas que devem permanecer visualmente mais discretas.
Essa construção também depende da integração com outros fornecedores. Profissionais de iluminação, flores, cenografia, mobiliário, telas e VJ, entre outras frentes envolvidas na produção, precisam trabalhar a partir da mesma direção para que a proposta mantenha a unidade durante a execução.

Desfile ganha palco imersivo com painéis florais e iluminação cênica.
Ao mesmo tempo, o projeto precisa funcionar quando o espaço deixa de estar vazio e passa a receber convidados e equipes. “Circulação é design”, afirma a designer. Uma cadeira posicionada de maneira inadequada ou uma mesa que dificulta a passagem pode comprometer a experiência mesmo quando a composição funciona perfeitamente na fotografia.
A funcionalidade é avaliada junto com a estética desde o início. O desenho do espaço precisa considerar tanto a circulação dos convidados quanto o trabalho das equipes responsáveis pela operação da festa.
Um novo olhar sobre o próprio trabalho
A passagem pelo Party Stars acrescentou outra perspectiva ao processo criativo de Kati. Depois de ser reconhecida pela premiação em 2025, assumir uma posição no júri fez com que passasse a observar projetos de outros profissionais a partir de critérios como conceito, execução, proporção, acabamento e coerência.
A experiência também tornou mais evidente a diferença entre impacto imediato e consistência. Uma fotografia pode chamar atenção no primeiro olhar, mas, para ela, um projeto precisa continuar fazendo sentido quando observado em seus detalhes, proporções e escolhas.
Com isso, o nível de exigência sobre cada elemento também aumentou. O fato de uma solução ser visualmente marcante não significa que precise estar presente. A decisão depende da função que ela exerce dentro da proposta.
Essa lógica também orienta o momento de encerrar um projeto. Para a designer, o impacto não está necessariamente ligado à quantidade. Escala, proporção, intenção e hierarquia ajudam a definir quais elementos serão protagonistas e onde haverá espaço para pausas visuais.
Nesse processo, retirar pode ser tão importante quanto acrescentar. Se determinado item não melhora a experiência, reforça o conceito, organiza o ambiente ou acrescenta significado, sua presença passa a ser questionada.

