E Paris, naturalmente, fez o que Paris sabe fazer: continuou sendo Paris.
Os cafés cheios, as bicicletas passando, o metrô apressado, os turistas diante dos monumentos. Mas, por trás da rotina, havia uma cidade em estado de atenção. Ruas foram fechadas, o trânsito foi alterado e milhares de pessoas se prepararam para acompanhar a passagem do Papa.
Na sexta-feira, Leão XIV encontrou autoridades francesas, esteve na UNESCO e seguiu para Notre-Dame, onde celebrou as vésperas com religiosos. À noite, em Saint-Denis, encontrou dezenas de milhares de jovens no Stade de France, é bonito pensar nessa imagem: o Papa, dentro de um estádio acostumado a receber grandes espetáculos, diante de uma multidão jovem. Não é uma catedral. Não é uma praça histórica. É um lugar onde normalmente se fala de futebol, música e grandes shows. Naquela noite, porém, o espetáculo era outro.
No sábado, a cena muda novamente. A Place de la Concorde recebe a grande missa. Depois, o Papa deixa Paris e segue para Lourdes, uma das cidades mais simbólicas do catolicismo francês.
Lourdes parece quase uma continuação natural dessa viagem.
Se Paris representa a França moderna, cosmopolita e plural, Lourdes representa a França da peregrinação, do silêncio e da fé. No domingo, são esperadas cerca de 150 mil pessoas para a missa na área diante da Gruta das Aparições. À noite, o Papa participa da tradicional procissão das velas.
E talvez seja justamente nessa passagem de uma cidade para outra que esteja a imagem mais interessante dessa viagem.
De Paris para Lourdes.
Da multidão urbana para os peregrinos.
Da grandiosidade da Place de la Concorde para a intimidade de uma gruta.
E, finalmente, na segunda-feira, Metz. Ali, o Papa participa de encontros inter-religiosos e de um momento dedicado às raízes da Europa, à paz e à unidade, antes de celebrar uma missa na Catedral de Saint-Étienne e retornar a Roma, sã apenas quatro dias, mas um roteiro que atravessa diferentes faces da França.
A França das grandes avenidas e das pequenas orações. A França dos jovens e dos peregrinos. A França histórica, religiosa, laica, moderna e, sobretudo, diversa. E, durante alguns dias, enquanto Leão XIV passa por Paris, Lourdes e Metz, a França parece olhar para si mesma,


para sua história, sua fé, suas dúvidas e suas esperanças.
Depois ele irá embora.
Paris voltará ao seu ritmo habitual. Lourdes continuará recebendo peregrinos. Metz seguirá sua rotina.
Mas por alguns dias, a França terá sido palco de uma das imagens mais antigas e, ao mesmo tempo, mais atuais do mundo: milhares de pessoas caminhando juntas atrás de um homem de branco, cada uma carregando consigo uma razão diferente para estar ali.

