A disputa eleitoral de 2026 já começou a esquentar, e a economia entrou de vez no ringue. Nesta sexta-feira (4), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, esteve em Belo Horizonte para um encontro com lideranças empresariais na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), no bairro Funcionários.

Quem é Daniella Marques

Economista formada pela PUC-Rio, Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal entre julho de 2022 e janeiro de 2023, durante o governo de Jair Bolsonaro — foi a primeira mulher a ocupar o cargo. Antes disso, atuou na Secretaria de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, ao lado do então ministro Paulo Guedes, de quem é considerada uma discípula direta na formulação de política econômica liberal.

Em junho, Flávio Bolsonaro a convidou para coordenar o plano de governo na área econômica, função que a projetou como uma espécie de porta-voz oficial da proposta econômica do PL para 2026. Chegou a ser cotada para compor a chapa como vice, mas o posto acabou ficando com Alfredo Gaspar; ainda assim, seu nome segue especulado para comandar a pasta da Economia ou a Casa Civil em um eventual governo de Flávio.

As críticas ao governo Lula

Antes da reunião com o empresariado mineiro, Daniella Marques concedeu entrevista na qual criticou duramente a política econômica da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Questionada sobre o principal problema da atual administração, resumiu: "O problema é o Lula." Ela também acusou o presidente de distorcer os efeitos da proposta de fim da jornada 6x1, argumentando que a mudança poderia impactar setores que não operam no modelo 5x2, como saúde, indústria, comércio e serviços.

Para a economista, o governo estaria criando expectativas que não seriam sustentáveis do ponto de vista fiscal. Ela apontou os gastos públicos como o que chamou de "pecado original" da atual gestão, afirmando que a União gasta mais do que arrecada — um diagnóstico que já vinha repetindo em agendas anteriores com empresários, como em Florianópolis, no mês passado, quando defendeu um corte de despesas equivalente a 1,5% do PIB e a manutenção de programas sociais como o Bolsa Família.

Economia deve dominar a campanha, mesmo com a crise institucional

Apesar da turbulência política em torno do chamado Caso Master — a crise gerada pelas investigações sobre o Banco Master e seu ex-controlador Daniel Vorcaro, que nas últimas semanas passou a envolver ministros do Supremo Tribunal Federal e provocou pedidos de explicação a autoridades da cúpula do Judiciário —, Daniella Marques avalia que o tema econômico deve prevalecer na disputa eleitoral. Segundo ela, o eleitor está mais preocupado com questões que afetam diretamente o bolso, como desemprego, renda e perda do poder de compra, do que com os desdobramentos institucionais do caso.

O que vem por aí

Com a proximidade da eleição, a expectativa é que Daniella Marques continue percorrendo capitais e polos empresariais do país para apresentar o diagnóstico econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, repetindo o roteiro adotado em Florianópolis e agora em Belo Horizonte — sempre combinando críticas à gestão petista com a defesa de uma agenda liberal de reforma tributária, corte de gastos e desburocratização.


Fontes: Blog Jair Sampaio, O Tempo, Estado de Minas, ND+, CNN Brasil, Gazeta do Povo, PlatôBR, Wikipédia, Agência Senado, Painel Político.