Na esquina do boulevard Saint-Germain com a rue Saint-Benoît, suas mesas na calçada fazem parte da paisagem tanto quanto as fachadas haussmannianas e o movimento apressado de quem atravessa o bairro. Sentar ali é, de certa forma, entrar para uma fotografia que Paris repete há décadas.

O Flore ganhou fama muito além do café. Ao longo do século XX, tornou-se ponto de encontro de escritores, artistas e intelectuais. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir fizeram dali quase uma extensão de seus escritórios, em uma época em que cafés eram também lugares para escrever, conversar, discutir ideias e simplesmente passar horas.

Mas talvez seja justamente isso que permaneça tão fascinante: o Café de Flore não parece viver apenas de sua história. Ele continua sendo um café. Pedem-se cafés, croissants, omeletes e taças de vinho; chegam turistas, parisienses, jornalistas, estudantes e personagens que parecem ter saído de um filme.

E existe uma elegância particular em não fazer muita coisa ali. Sentar, pedir um café e observar. As mesas pequenas, as cadeiras voltadas para a rua, os garçons circulando com aquela eficiência tipicamente parisiense e o boulevard passando diante dos olhos.

No Flore, a experiência está menos no que se come e mais no lugar que se ocupa.

Talvez por isso ele continue sendo um dos cafés mais icônicos de Paris: porque, depois de tantos escritores e artistas, ainda existe uma cadeira esperando por alguém que queira simplesmente sentar e olhar a cidade passar.