Atravessar a rua olhando para o celular pode passar a render multa na Itália. Uma proposta em análise para a revisão do Código de Trânsito do país prevê uma punição de 75 euros, cerca de R$ 440, para pedestres que utilizarem dispositivos eletrônicos enquanto atravessam a via.
A medida faz parte do texto-base discutido pelo Ministério da Infraestrutura e dos Transportes da Itália e ainda não está em vigor. O governo italiano iniciou uma consulta com mais de cem entidades e representantes do setor antes da definição do texto que poderá avançar no processo de aprovação.
A proposta não se limita aos celulares. O texto também abrange o uso de tablets, computadores e aparelhos semelhantes durante a travessia ou enquanto o pedestre estiver caminhando diretamente pela pista. Os fones de ouvido ainda são permitidos desde que o usuário ainda escute o ambiente ao seu redor
O objetivo é reduzir situações em que a distração causada pelas telas comprometa a atenção de quem circula pelas ruas.
A proposta também amplia as responsabilidades atribuídas aos pedestres. Antes de iniciar a travessia, eles deverão verificar se foram vistos pelos motoristas e evitar mudanças repentinas de direção durante o percurso. Ao mesmo tempo, a preferência dos pedestres nas faixas permanece prevista.
Celular ao volante já tem punições mais severas
Enquanto as novas regras para pedestres ainda estão em discussão, o uso de aparelhos eletrônicos por motoristas já é alvo de punições mais rígidas na Itália.
Atualmente, quem é flagrado utilizando celular ou outros dispositivos ao volante pode receber multa entre € 250 e € 1.000, além da suspensão da carteira por um período de 15 dias a 3 meses. Em caso de reincidência dentro de dois anos, a multa pode variar entre € 350 e € 1.400, acompanhada de suspensão da habilitação por 1 a 3 meses.
A inclusão dos pedestres nesse debate indica uma tentativa de ampliar o conceito de responsabilidade no trânsito. Pela proposta, a segurança nas vias deixa de estar concentrada apenas na conduta de quem dirige e passa a considerar também comportamentos de risco de quem circula a pé.

