O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. Segundo a Folha de S.Paulo, ele foi vítima de pneumonia.

Um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro, Zuenir construiu uma carreira que atravessou diferentes momentos da história recente do país. Também deixou sua marca na literatura, na universidade e na defesa dos direitos humanos.

Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, era integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). Zuenir ocupava a cadeira nº 32, para a qual foi eleito em 2014, sucedendo Ariano Suassuna. A posse aconteceu em março de 2015.

Uma vida dedicada ao jornalismo

Zuenir Ventura iniciou sua trajetória no jornalismo em 1956. Ao longo da carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Fatos & Fotos, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também foi colunista de O Globo.

Além das redações, atuou como professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Sua carreira também foi reconhecida com importantes premiações. Em 1989, a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes” rendeu ao jornalista os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog.

Anos depois, o livro-reportagem Cidade Partida, lançado em 1994 e dedicado às desigualdades e à violência no Rio de Janeiro, recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.

Em 2008, Zuenir recebeu ainda um troféu especial da Organização das Nações Unidas. A homenagem reconheceu cinco jornalistas que se destacaram pela contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil nas três décadas anteriores.

“1968: O Ano Que Não Terminou”

Entre suas obras, 1968: O Ano Que Não Terminou se tornou uma das mais conhecidas. Publicado originalmente em 1988, o livro revisita um dos períodos mais intensos da história política e cultural brasileira.

Na obra, Zuenir reconstrói acontecimentos que marcaram aquele ano, incluindo o movimento estudantil, as manifestações contra a ditadura militar e o aumento da repressão política.

A narrativa acompanha também os comportamentos, sonhos e conflitos de uma geração que buscava transformar o país. O período culminou na edição do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, que aprofundou a repressão durante a ditadura.

Com dezenas de edições publicadas, o livro tornou-se uma referência da não ficção brasileira. A obra também serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo.

Ao longo de sete décadas de atuação, Zuenir Ventura transformou acontecimentos políticos, culturais e sociais em reportagem, memória e literatura. Sua trajetória permanece ligada à história do próprio jornalismo brasileiro e à documentação de algumas das principais transformações vividas pelo país no século XX e início do XXI.