A Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, e a Snap, dona do Snapchat, enfrentam um novo julgamento nos Estados Unidos por acusações de que suas plataformas foram projetadas para provocar dependência entre crianças e adolescentes. O processo teve início nesta quarta-feira (28), em Los Angeles, com a seleção dos jurados.
Esta é a primeira vez que o Snapchat terá de responder a essas acusações diante de um júri. O julgamento faz parte de uma série de ações judiciais movidas contra empresas de tecnologia nos Estados Unidos, que questionam os possíveis impactos das redes sociais na saúde mental dos usuários mais jovens.
O caso envolve duas jovens, de 16 e 18 anos, que afirmam ter desenvolvido problemas psicológicos associados ao uso excessivo das plataformas. Segundo as acusações, funcionalidades como a reprodução automática de vídeos, a rolagem infinita de conteúdos e os mecanismos de interação foram desenvolvidas para incentivar a permanência prolongada nos aplicativos.
As autoras relacionam o uso compulsivo das redes sociais ao desenvolvimento de sintomas de depressão, ansiedade, transtornos alimentares e comportamentos de automutilação.
Inicialmente, TikTok e YouTube também figuravam entre as empresas processadas, mas chegaram a acordos antes do julgamento. A Meta também fechou um acordo com uma das jovens, enquanto a Snap continua respondendo às acusações apresentadas pelas duas.
Mark Zuckerberg deve prestar depoimento
Entre os nomes que devem comparecer ao tribunal estão Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, Evan Spiegel, fundador e presidente-executivo da Snap, e Adam Mosseri, responsável pelo Instagram. Os depoimentos são esperados para meados de novembro.
A previsão é que as apresentações dos argumentos comecem em 4 de novembro e que o julgamento se estenda até meados de dezembro. Entretanto, as empresas ainda podem negociar acordos antes da divulgação de um veredicto.
A Meta nega as acusações e afirma que desenvolve ferramentas de proteção para adolescentes há anos. A Snap também contesta as alegações e argumenta que o Snapchat possui características diferentes das redes sociais tradicionais, já que prioriza a comunicação por mensagens e imagens.
Processo pode influenciar milhares de ações
O julgamento ocorre em meio ao aumento da pressão judicial sobre as grandes empresas de tecnologia. Mais de 3 mil processos relacionados aos possíveis danos das redes sociais estão reunidos em um tribunal de Los Angeles.
Em março de 2026, outro julgamento envolvendo a Meta e o YouTube terminou com uma decisão que determinou o pagamento de US$ 6 milhões em indenizações a uma jovem que acusava as plataformas de contribuir para problemas de saúde mental.
O novo processo poderá influenciar o andamento de outras ações semelhantes, principalmente na discussão sobre a responsabilidade das empresas pelo funcionamento de recursos criados para ampliar o engajamento dos usuários.
A decisão também poderá estabelecer novos parâmetros para avaliar até que ponto as plataformas digitais podem ser responsabilizadas por eventuais danos à saúde mental de crianças e adolescentes.

