O percurso entre os dois edifícios do Museu de Arte de São Paulo (MASP) ganhou uma nova dimensão. Inaugurada nesta sexta-feira (11), a passagem subterrânea que conecta o edifício Lina Bo Bardi ao anexo Pietro Maria Bardi passa a integrar a experiência do visitante com uma intervenção inédita da artista carioca Beatriz Milhazes.
Batizada de “Pietrolina”, a obra foi criada especialmente para o espaço e faz referência aos nomes de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, casal fundador do MASP. Com 98 metros de extensão, a intervenção ocupa as paredes da passagem e acompanha o visitante durante todo o trajeto.
Mais do que uma ligação entre os prédios, o novo espaço transforma o deslocamento em uma experiência artística. A passagem tem cerca de 50 metros e foi projetada para permitir que o público transite internamente entre os dois edifícios, além de facilitar o transporte de obras, equipamentos e equipes técnicas.
Um carnaval de cores sob a Avenida Paulista
Para criar “Pietrolina”, Beatriz Milhazes partiu da ideia de um desfile de Carnaval. A composição apresenta uma sucessão de formas, cores e símbolos que remetem ao universo visual da artista, conhecido pela combinação de arabescos, listras, elementos florais e formas orgânicas.
O projeto levou mais de dois anos de desenvolvimento. Antes de chegar às paredes do MASP, a artista realizou estudos de composição e uma pesquisa cromática que resultou em uma paleta de 33 tintas acrílicas. A execução da pintura no local levou aproximadamente três meses.
De um lado, uma pintura de aproximadamente 60 metros percorre o túnel. Na parede oposta, elementos reflexivos dourados se estendem por outros 38 metros, criando diferentes efeitos visuais conforme o visitante avança pelo espaço.
A proposta é justamente desacelerar. Em meio ao movimento intenso da Avenida Paulista, o visitante é convidado a atravessar o espaço com outro ritmo, observando as relações entre cores, formas, reflexos e arquitetura.
“Gostaria que, quando entrassem aqui, conhecessem essa possibilidade de parar, reduzir, se acalmar, poder contemplar, poder vivenciar e experimentar todas essas relações cromáticas, formas e simbologias”, afirmou Beatriz Milhazes sobre a obra.
Entre Lina e Pietro
A passagem representa também uma etapa importante na expansão do MASP. O novo anexo Pietro Maria Bardi foi inaugurado em março de 2025 e, com a conclusão da ligação subterrânea, os dois edifícios passam a funcionar de maneira integrada para o público.
O projeto arquitetônico da passagem foi desenvolvido pelo METRO Arquitetos Associados, escritório responsável também pelo anexo. A construção exigiu uma operação complexa, realizada de cima para baixo para minimizar os impactos na circulação da Avenida Paulista, além de envolver aprovações de diferentes órgãos e alterações na infraestrutura urbana.
A curadoria de “Pietrolina” é assinada por Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro. Para o MASP, a escolha de Milhazes reforça a intenção de fazer da passagem não apenas uma solução arquitetônica, mas também um espaço de encontro entre arte e arquitetura.
Uma obra que prolonga a relação de Beatriz Milhazes com o MASP
A nova intervenção dá continuidade à relação da artista com o museu. Em 2020, Beatriz Milhazes apresentou no MASP uma grande retrospectiva, com mais de 170 obras, e naquele mesmo contexto a instituição incorporou ao acervo a obra “Avenida Paulista”, que também estabelece um diálogo com “Pietrolina”.
Reconhecida internacionalmente, Milhazes possui obras em importantes coleções e instituições, e seus trabalhos de grande escala já ocuparam diferentes espaços arquitetônicos ao redor do mundo. “Pietrolina” se soma agora a esse percurso como uma intervenção permanente e especialmente pensada para a arquitetura do MASP.
Assim, aquilo que poderia ser apenas um caminho entre dois edifícios ganha outro significado: um percurso que convida o visitante a parar, olhar e experimentar a arte enquanto atravessa o museu.

