E neste outono, o programa está particularmente interessante: há exposições que vão da alta-costura à fotografia, passando pelo design contemporâneo e pela relação entre França e Tailândia.

LOOK! 40 anos de moda no museu

É provavelmente a exposição que mais chama atenção para quem gosta de moda.

Inaugurada em 30 de setembro, “Look! 40 ans de mode au musée” comemora quatro décadas de exposições de moda realizadas pelo MAD com uma seleção de 40 peças icônicas de seu acervo, que reúne mais de 80 mil itens.

A proposta não é simplesmente colocar vestidos bonitos em vitrines. A exposição conta a própria história da moda dentro do museu: como uma criação nasce na cabeça de um estilista, passa pelo ateliê, chega à passarela e, posteriormente, ganha uma segunda vida como objeto de museu.

Entre os nomes presentes estão Dior, Yves Saint Laurent, John Galliano, Jean Paul Gaultier, Iris van Herpen e Dries Van Noten.

O interessante é perceber como referências antigas continuam aparecendo na moda contemporânea. Uma peça histórica pode reaparecer décadas depois reinterpretada por outro estilista, mostrando que moda também é memória, pesquisa e transformação.

Até 4 de abril de 2027.

Rafael Pavarotti, fotógrafo

Outra grande atração do momento é a exposição dedicada ao fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti, aberta em 2 de outubro.

É a primeira grande apresentação de seu trabalho na França e reúne uma produção marcada pela relação entre moda, identidade, beleza e representação.

Pavarotti é conhecido por uma fotografia sofisticada e profundamente ligada ao universo fashion, mas seu trabalho vai além da estética. Há uma investigação sobre corpos, culturas e diferentes formas de representar a beleza.

Para quem gosta de moda, fotografia e imagem, é uma exposição que merece atenção, principalmente porque coloca um brasileiro em um dos principais museus de artes decorativas do mundo.

Até 2 de maio de 2027.

La Mode en majesté: a alta-costura na corte da Tailândia

Aqui está uma exposição que foge completamente do roteiro mais óbvio.

“La Mode en majesté” apresenta a evolução do vestuário da corte tailandesa, com peças provenientes da coleção real, mostrando o encontro entre tradição, identidade cultural e influência da moda ocidental.

O grande interesse está justamente nesse diálogo: como a roupa pode representar poder, tradição e modernidade ao mesmo tempo.

Não é apenas uma exposição de vestidos. É uma oportunidade de entender como a moda pode funcionar como instrumento de representação de uma sociedade e de sua história.

Até 1º de novembro de 2026.

Paris > Kyoto > Paris: quatro designers de volta do Japão

Para quem se interessa por design e decoração, essa talvez seja a exposição mais especial.

O MAD apresenta o trabalho de quatro designers — Nina Fradet, Tony Jouanneau, Felipe Ribon e Marion Vidal — que passaram pela Villa Kujoyama, no Japão.

O percurso investiga o que acontece quando designers franceses mergulham na cultura japonesa e depois retornam à França com novas referências.

O resultado é uma exposição sobre troca cultural, materiais, técnicas e processos criativos.

E há algo especialmente interessante para quem gosta de interiores: observar como referências japonesas podem ser incorporadas ao design contemporâneo sem simplesmente transformar tudo em uma reprodução estética do Japão.

Até 3 de janeiro de 2027.

Um museu para quem gosta de olhar os detalhes

O mais interessante do MAD é que ele não precisa ser visitado apenas por quem entende de arte ou de moda.

É um museu para quem gosta de casas, objetos, tecidos, louças, móveis, joias, roupas e tudo aquilo que compõe a estética de uma época.

E, para mim, esse é justamente o seu charme.

Você pode entrar interessado em um vestido e sair pensando em uma cadeira. Pode parar diante de uma joia e acabar observando o acabamento de um móvel. Pode olhar para uma peça de porcelana e perceber que, muitas vezes, a história do design está nos pequenos detalhes.

Minha escolha para uma primeira visita: começaria por Look! 40 anos de moda no museu, seguiria para Rafael Pavarotti e depois reservaria tempo para as coleções permanentes.

O MAD é daqueles lugares em que vale ir sem pressa. Porque, mais do que exposições, ele oferece uma verdadeira aula sobre como a estética de cada época acaba entrando na nossa vida cotidiana.