Teve uma época em que sair de casa significava conferir três coisas: celular, carteira e fone de ouvido. Com fio, claro. Ele ficava enrolado dentro da bolsa, aparecia por cima da camiseta e, em algum momento do dia, inevitavelmente precisava ser desembaraçado. Anos depois, quando o Bluetooth parecia ter encerrado essa história, o acessório voltou a chamar atenção. E Justin Bieber parece ter percebido o momento certo para entrar nessa conversa.
A SKYLRK, marca criada pelo cantor, começou a apresentar uma linha de áudio que abraça justamente essa nostalgia. Entre as prévias estão fones com fio em cores marcantes e um pequeno dispositivo que lembra os antigos MP3 players, com tela própria e botões físicos. Mais do que resgatar uma tecnologia do passado, a proposta transforma elementos que muita gente considerava ultrapassados em parte de uma estética atual.

E existe uma camada importante nessa história: o marketing. Mostrar um produto antes que todo mundo consiga comprá-lo, colocá-lo nas mãos de pessoas que naturalmente geram atenção e deixar a internet tentar descobrir o que está por vir cria expectativa antes mesmo do lançamento. Hailey Bieber e Kylie Jenner já apareceram usando modelos ligados à SKYLRK e, na prática, cada nova aparição ajuda a colocar o produto novamente na conversa. O desejo começa a ser construído antes da venda.



Só que o fone com fio não voltou por causa de Justin. Celebridades como Bella Hadid, Zoë Kravitz e Lily-Rose Depp já vinham incorporando o acessório aos looks há alguns anos. O fio branco ou colorido aparece sobre a roupa, acompanha óculos, bolsas e casacos e acaba funcionando quase como parte do styling. Diferentemente dos pequenos modelos sem fio, que praticamente desaparecem no ouvido, o cabo faz questão de aparecer.

E os números indicam que isso não ficou restrito à estética das celebridades. Segundo a Circana, depois de cinco anos consecutivos de queda, os fones com fio voltaram a crescer em 2025. As vendas avançaram 10% entre julho e dezembro e, nas seis primeiras semanas de 2026, a receita da categoria cresceu 20%. O preço também chama atenção: em 2025, os modelos com fio analisados pela empresa custavam em média US$ 13, enquanto os Bluetooth chegavam a cerca de US$ 99.
Parte do charme também está na nostalgia. Durante os anos 2000, o fone não era apenas uma ferramenta para ouvir música. O fio passando pela roupa, o MP3 dentro do bolso, as músicas escolhidas uma por uma e os acessórios coloridos faziam parte da experiência. Hoje, essa memória se encontra com uma geração que voltou a se interessar por câmeras digitais compactas, aparelhos dedicados a uma única função e referências visuais daquela época. A própria Circana registrou alta de 93% no volume de câmeras digitais compactas vendidas em 2025.


Além do visual, existe praticidade. Fones com fio não precisam ser carregados, dispensam o pareamento por Bluetooth e costumam ser bem mais baratos. Em uma rotina em que relógio, celular, fone, computador e tantos outros dispositivos pedem bateria, conexão e atualização, existe algo curiosamente moderno em voltar para um objeto que simplesmente conecta e funciona.
É justamente por isso que a aposta da SKYLRK funciona tão bem como produto e como marketing. Justin não precisou inventar o retorno dos fones com fio. A tendência já estava acontecendo. O acerto está em perceber um comportamento que mistura moda, nostalgia e consumo e transformá-lo em algo com identidade própria, antes que a conversa esfrie. É menos sobre convencer alguém de que 2005 voltou e mais sobre mostrar que certas referências nunca deixaram de ter potencial para voltar a ser desejadas.
No fim, talvez essa seja a maior graça do movimento: em pleno 2026, quando a tecnologia promete fazer cada vez mais coisas, um simples fio voltou a ser cool. E você, usaria novamente pela praticidade, pela estética ou pela nostalgia? Continue acompanhando o Universo Inesquecível para descobrir as tendências, estratégias e movimentos da cultura pop que ajudam a explicar por que todo mundo começa, de repente, a querer a mesma coisa.


