A busca por uma aparência mais jovial e natural vem aumentando a procura pelo lifting facial, também conhecido como facelift. Segundo o cirurgião plástico Dr. Rodrigo Mangaravite, a maior exposição da imagem nas redes sociais, a popularização das fotografias e dos vídeos e o crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento estão entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento.

“A cirurgia de face é a cirurgia do momento. As pessoas se veem cada vez mais, tiram muitas fotos e não querem aparentar uma imagem tão envelhecida”, afirma o médico.

Embora o procedimento também seja realizado em homens, Mangaravite estima que aproximadamente 80% das pessoas que procuram a cirurgia sejam mulheres.

Redes sociais aumentaram a percepção do envelhecimento

Ao se observarem com maior frequência em fotografias e vídeos, muitas pessoas passaram a perceber sinais que antes não chamavam tanta atenção, como a flacidez do pescoço, a perda da definição da mandíbula, a queda dos tecidos e a redução dos volumes faciais.

“Quando a pessoa se vê em uma foto e percebe o pescoço caído ou os primeiros sinais de envelhecimento, é natural que procure um tratamento que proporcione um aspecto mais jovial”, explica.

Durante muitos anos, preenchimentos, tratamentos dermatológicos e outros procedimentos estéticos ocuparam um espaço importante na tentativa de retardar os efeitos do envelhecimento. No entanto, o especialista ressalta que esses recursos apresentam limitações quando já existe uma flacidez mais acentuada.

“Hoje, percebemos que determinados tratamentos não conseguem proporcionar o mesmo grau de melhora de uma cirurgia de face”, afirma Mangaravite.

Canetas emagrecedoras e o chamado “rosto derretendo”

Outro fator relacionado ao aumento da procura pelo facelift é a perda significativa de peso, inclusive entre pacientes que utilizam medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro e Ozempic, mediante indicação e acompanhamento médico.

Com o emagrecimento, pode ocorrer uma redução importante da gordura facial. Essa perda de volume tende a deixar a flacidez mais evidente e a alterar os contornos responsáveis por transmitir uma aparência mais jovem.

“O que mais escuto na clínica é o paciente chegando e dizendo que sente que o rosto está derretendo. Ele começa a perder volume, o rosto cai, a musculatura fica mais flácida e os contornos faciais desaparecem”, relata o cirurgião.

O facelift não trata apenas a pele

As técnicas de lifting facial passaram por uma evolução significativa. Antigamente, a cirurgia era baseada principalmente no estiramento da pele. Hoje, o procedimento pode atuar também nas estruturas mais profundas da face.

“O envelhecimento não acontece somente na pele. Ele começa na camada muscular, passa pela camada subcutânea, onde está a gordura, e chega até a pele, que perde elasticidade e fica mais flácida com o tempo”, explica Mangaravite.

No facelift moderno, o cirurgião trabalha o conjunto dessas estruturas. Dependendo da indicação, a musculatura é reposicionada, os tecidos profundos são elevados, volumes são recuperados e o excesso de pele é retirado.

“Entramos por baixo da musculatura, reposicionamos essa musculatura, levantamos os tecidos, repomos gordura e retiramos o excesso de pele. O importante é tratar todas as camadas”, afirma.

Por que as cirurgias antigas ficavam com aspecto esticado?

Segundo o médico, quando apenas a pele era tracionada, a musculatura permanecia flácida. Como a pele possui elasticidade, ela acabava cedendo novamente com o passar do tempo, reduzindo a durabilidade do resultado.

Na tentativa de prolongar o efeito da cirurgia, era comum que se retirasse ou esticasse uma quantidade maior de pele, o que podia produzir uma aparência artificial.

“Os cirurgiões tentavam puxar muito a pele para dar mais resultado e durabilidade, mas isso acabava deixando aquele aspecto esticado”, explica.

Atualmente, a tensão principal é direcionada às camadas profundas. A pele é apenas reposicionada, sem ser excessivamente tracionada.

“A busca é sempre por naturalidade. Queremos entregar ao paciente um rosto mais bonito e jovial, mas sem aquele aspecto evidente de cirurgia plástica”, destaca Mangaravite.

Como é realizada a cirurgia?

O lifting facial é um procedimento cirúrgico realizado em ambiente hospitalar, com anestesia geral e acompanhamento de uma equipe de anestesia e de uma equipe cirúrgica.

De acordo com Mangaravite, a duração pode variar entre duas e quatro horas, dependendo das características do paciente e dos procedimentos associados.

Após a cirurgia, o paciente normalmente permanece uma noite internado e recebe alta no dia seguinte para continuar a recuperação em casa.

Como funciona a recuperação?

Na primeira semana, a recomendação é que o paciente permaneça em repouso e se afaste das atividades profissionais e sociais.

Após a avaliação médica e o início da retirada dos pontos, geralmente na segunda semana, algumas atividades pontuais podem ser retomadas.

“Na segunda semana, o paciente já pode ir ao escritório resolver alguma coisa ou sair para um compromisso específico, mas ainda com restrições”, explica.

Por volta de 15 dias, estando a recuperação dentro do esperado, o paciente pode retornar à maior parte das atividades cotidianas. Atividades físicas e exposição ao sol, porém, continuam restritas.

O retorno aos exercícios costuma acontecer de maneira gradativa a partir da terceira semana. Depois de aproximadamente um mês, o paciente pode estar liberado para atividades físicas completas, de acordo com a avaliação médica.

A exposição solar exige um período maior de cuidado e costuma ser autorizada após cerca de um mês e meio.

Microfat recupera volume e estrutura do rosto

Além do reposicionamento das estruturas, o facelift pode ser associado ao uso de gordura do próprio paciente. Uma pequena quantidade é retirada durante a cirurgia, preparada e dividida para diferentes finalidades.

Uma dessas técnicas é o Microfat. A gordura passa por um processo de purificação e depois é utilizada como forma de preenchimento em áreas que perderam volume.

As regiões próximas à boca estão entre as mais tratadas, incluindo o chamado “bigode chinês”, pequenas rugas de expressão e áreas que perderam sustentação.

“O Microfat devolve estrutura ao rosto e melhora o tônus dos tecidos”, explica o especialista.

Nanofat e a qualidade da pele

Outra técnica utilizada é o Nanofat. Segundo Mangaravite, parte da gordura retirada do próprio paciente passa por um processamento específico e o material obtido é aplicado por meio de microagulhamento, com o objetivo de melhorar a qualidade da pele.

“Utilizamos esse líquido rico em propriedades regenerativas para revitalizar e melhorar a qualidade da pele”, afirma.

O médico relata que atualmente associa Microfat e Nanofat à maioria dos casos de facelift que realiza. A indicação dessas técnicas, assim como de qualquer procedimento associado, depende da avaliação individual de cada paciente.

Naturalidade como principal objetivo

Para Mangaravite, a evolução do lifting facial representa uma mudança importante na cirurgia plástica. O objetivo deixou de ser simplesmente esticar a pele e passou a envolver o reposicionamento dos tecidos, a recuperação dos volumes e a melhora da qualidade da pele.

A indicação deve ser individualizada e considerar fatores como anatomia facial, grau de flacidez, idade, condições de saúde e expectativas do paciente.

Por se tratar de uma cirurgia, é fundamental que o procedimento seja realizado por profissional habilitado, em ambiente adequado e após uma avaliação médica completa.

“A busca é sempre essa: resultados com naturalidade, entregando ao paciente um aspecto mais bonito e jovial sem estar esticado”, resume o cirurgião.

Quem é Dr. Rodrigo Mangaravite

Dr. Rodrigo Mangaravite é cirurgião plástico formado em Medicina pela Escola de Medicina Souza Marques, com residência em Cirurgia Geral no Hospital da Lagoa e formação em Cirurgia Plástica no Hospital da Plástica.

É membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira. Também integra entidades internacionais da especialidade, entre elas a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e a Federação Ibero-Latinoamericana de Cirurgia Plástica.

Com uma trajetória de mais de três décadas na Medicina, Mangaravite tem na cirurgia facial e na rinoplastia importantes áreas de sua atuação. Foi professor de Rinoplastia no curso de pós-graduação da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e, segundo dados de sua equipe, ultrapassou a marca de quatro mil rinoplastias realizadas.

Em 2009, publicou o livro “O Que a Cirurgia Plástica Pode Fazer Por Você”, pela Editora 3RStudio, no qual apresenta informações sobre procedimentos e os cuidados envolvidos na decisão de realizar uma cirurgia plástica.

Ao longo da carreira, também participa de congressos nacionais e internacionais e é frequentemente convidado para entrevistas em veículos de comunicação para abordar cirurgia plástica, rejuvenescimento facial e novas técnicas da especialidade.