O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado neste sábado (10), chama a atenção para um dos principais desafios da saúde pública: o aumento da necessidade de cuidados psicológicos e psiquiátricos em todo o mundo. A data busca conscientizar a população sobre transtornos como depressão e ansiedade, além de destacar a importância do acolhimento e da prevenção ao suicídio.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em setembro de 2026, aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental em 2023, o equivalente a quase uma em cada sete pessoas no planeta. Entre as condições mais frequentes estão os transtornos de ansiedade, que afetavam cerca de 470 milhões de pessoas, e a depressão, presente na vida de aproximadamente 322 milhões.

Apesar da existência de tratamentos eficazes, uma parcela significativa da população ainda enfrenta dificuldades para receber acompanhamento adequado. A falta de profissionais, as desigualdades no acesso aos serviços de saúde e o preconceito continuam sendo obstáculos para quem precisa de ajuda.

Em 2026, a campanha do Dia Mundial da Saúde Mental promovida pela OMS destaca a importância de ouvir pessoas que convivem com transtornos mentais e permitir que suas experiências contribuam para a elaboração de políticas públicas e a melhoria dos serviços de atendimento.

Depressão: quando a tristeza se torna um sinal de alerta

Sentir tristeza, desânimo ou frustração faz parte da experiência humana. Entretanto, quando esses sentimentos persistem e começam a comprometer a rotina, os relacionamentos e a capacidade de realizar atividades cotidianas, é necessário investigar a possibilidade de um transtorno depressivo.

A depressão é uma condição de saúde que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Seus sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, dificuldades de concentração, falta de energia e sentimentos de culpa ou desesperança.

De acordo com a OMS, os episódios depressivos geralmente apresentam sintomas durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas.

A doença pode atingir pessoas de diferentes idades e realidades sociais. Também não deve ser confundida com falta de força de vontade ou incapacidade de enfrentar problemas.

O diagnóstico deve ser realizado por um profissional de saúde. O tratamento pode envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e medicamentos, conforme a gravidade e as necessidades de cada paciente.

Ansiedade: quando a preocupação interfere na qualidade de vida

A ansiedade também merece atenção. Embora seja uma reação natural diante de situações de incerteza, medo ou pressão, ela pode se transformar em um problema de saúde quando se torna excessiva, persistente e difícil de controlar.

Pessoas com transtornos de ansiedade podem apresentar preocupação intensa, irritabilidade, tensão muscular, dificuldade para dormir, problemas de concentração, palpitações e sensação constante de que algo ruim está prestes a acontecer.

Em alguns casos, os sintomas provocam limitações significativas na vida profissional, acadêmica e social, levando a pessoa a evitar situações comuns do cotidiano.

O ritmo de trabalho, as dificuldades financeiras, os conflitos familiares e outros fatores estressantes podem contribuir para o sofrimento emocional. Entretanto, os transtornos de ansiedade têm causas multifatoriais e não devem ser atribuídos exclusivamente às pressões da vida moderna.

A identificação precoce dos sintomas e a busca por atendimento especializado são fundamentais para reduzir os impactos do transtorno e melhorar a qualidade de vida.

Prevenção ao suicídio exige atenção aos sinais de sofrimento

Outro tema central do Dia Mundial da Saúde Mental é a prevenção ao suicídio. Segundo a OMS, aproximadamente 727 mil pessoas morreram por suicídio em todo o mundo em 2021, ano de referência das estimativas globais divulgadas pela organização.

O suicídio é considerado um fenômeno complexo, associado à interação de diferentes fatores psicológicos, sociais, ambientais e de saúde. Embora a depressão esteja relacionada ao aumento do risco, nem todas as pessoas com depressão apresentam comportamento suicida, e o suicídio não pode ser explicado por uma única causa.

O Ministério da Saúde orienta familiares e amigos a prestarem atenção a mudanças significativas de comportamento, isolamento social, manifestações frequentes de desesperança e comentários relacionados à morte ou à vontade de deixar de viver.

Esses sinais não representam, isoladamente, um diagnóstico ou uma confirmação de risco. No entanto, precisam ser levados a sério, especialmente quando aparecem em conjunto ou se intensificam.

Acolher alguém em sofrimento significa ouvir sem julgamentos, evitar minimizar seus sentimentos e incentivar a procura por ajuda profissional. Em situações de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e buscar atendimento de emergência.

A prevenção também depende de políticas públicas, serviços acessíveis e redes de apoio capazes de oferecer acompanhamento contínuo às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Cuidar da saúde mental também é uma questão de saúde pública

A conscientização sobre saúde mental precisa ultrapassar as campanhas realizadas em datas comemorativas. Escolas, empresas, famílias e instituições públicas desempenham um papel importante na construção de ambientes que favoreçam o diálogo e o acolhimento.

Hábitos como manter uma rotina de sono, praticar atividades físicas, preservar vínculos sociais e reservar momentos de descanso podem contribuir para o bem-estar psicológico. Essas medidas, contudo, não substituem o acompanhamento profissional quando existe um transtorno mental.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e de outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial.

Ampliar essas estruturas e combater a discriminação são medidas essenciais para garantir que o cuidado com a saúde mental seja reconhecido como um direito.

Onde buscar ajuda?

Pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional podem procurar atendimento nas unidades de saúde do SUS ou buscar orientação de psicólogos e psiquiatras.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188. O atendimento está disponível ainda pelo site www.cvv.org.br.

Em situações de emergência ou risco imediato de suicídio, é necessário acionar o SAMU, pelo número 192, ou procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou pronto-socorro.

O Dia Mundial da Saúde Mental reforça que reconhecer os sinais de sofrimento, respeitar quem enfrenta transtornos psicológicos e facilitar o acesso ao tratamento são atitudes fundamentais para a prevenção. A conscientização começa com a informação, mas precisa se transformar em acolhimento e cuidado ao longo de todo o ano.