O iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max chegam às lojas físicas do Brasil nesta sexta-feira (18), depois de uma pré-venda que começou no último sábado (12). Os novos modelos da Apple trazem o chip A20 Pro, primeiro da linha fabricado em processo de 2 nanômetros, câmera principal de abertura variável e ganhos de autonomia — mas o que mais chama atenção, mais uma vez, é a distância entre o preço cobrado no Brasil e o praticado no mercado americano.
Levantamento feito a partir dos preços oficiais divulgados pela Apple mostra que a versão de entrada do iPhone 18 Pro Max, com 256 GB, custa R$ 12.999 no Brasil. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho é vendido por US$ 1.299. Convertido pela cotação do dólar desta segunda-feira (14), a R$ 5,13, o valor equivale a aproximadamente R$ 6.664 — uma diferença de R$ 6.335 entre um país e outro pelo mesmo produto.
O preço nos dois países
Brasil Estados Unidos iPhone 18 Pro Max 256 GB R$ 12.999 US$ 1.299 (≈ R$ 6.664) Diferença — R$ 6.335 a menos
A distância de preço não é novidade a cada lançamento da Apple, mas soma-se este ano a um contexto de alta do dólar e de reajustes generalizados nos preços de eletrônicos no Brasil, em meio à escassez global de memória que também pressionou os valores de Mac, iPad e outros produtos da marca ao longo de 2026.
O que dá para fazer com a diferença
Com os R$ 6.335 que separam o preço brasileiro do americano, um consumidor poderia, em tese, viajar aos Estados Unidos, comprar o mesmo aparelho por lá e ainda cobrir parte dos custos de uma viagem curta. Uma simulação com valores de mercado para Orlando, um dos destinos mais procurados por brasileiros e com boa oferta de voos a partir do Rio de Janeiro, ajuda a dimensionar a conta:
Passagem aérea Rio de Janeiro–Orlando, ida e volta: a partir de R$ 2.547, com preços mais comuns na faixa de R$ 3.500 a R$ 3.900, conforme a data
Hospedagem em hotel de faixa intermediária fora dos parques: entre R$ 600 e R$ 900 a diária
Em três noites de hospedagem, somando cerca de R$ 2.100 à passagem, o custo da viagem fica próximo de R$ 5.600
Ou seja, a diferença de preço do aparelho é suficiente, no papel, para cobrir a passagem aérea e a hospedagem de um fim de semana estendido de três a quatro dias em Orlando — restando ainda uma margem para alimentação e deslocamento local, ainda que apertada.
O detalhe que pode mudar a conta: a cota de isenção
Um ponto costuma ficar de fora dessa comparação e merece atenção: a Receita Federal permite que viajantes que retornam ao Brasil por via aérea tragam até US$ 1.000 em compras feitas no exterior sem pagar imposto. Acima desse valor, incide uma alíquota de 50% sobre o excedente.
Como o iPhone 18 Pro Max custa US$ 1.299 nos Estados Unidos, o valor ultrapassa a cota de isenção em US$ 299. Se declarado corretamente, o imposto devido sobre essa diferença seria de aproximadamente US$ 150, o equivalente a pouco mais de R$ 750 na cotação atual. Somando esse valor ao preço já convertido do aparelho, o custo total de comprar o iPhone nos Estados Unidos e trazê-lo de forma regular ao Brasil fica em torno de R$ 7.400 — ainda assim, R$ 5.500 mais barato do que a compra no Brasil, e uma margem que segue próxima do necessário para cobrir passagem e hospedagem de uma viagem curta.
O retrato do chamado "custo Brasil"
O exercício não é uma recomendação de compra, mas uma forma de ilustrar um debate recorrente entre consumidores brasileiros: o de que, em determinados produtos importados, a diferença de preço em relação ao mercado americano é grande o suficiente para tornar competitiva até mesmo a alternativa de viajar para comprar. Impostos de importação, tributos estaduais e federais sobre eletrônicos e a variação cambial estão entre os principais fatores apontados para explicar a disparidade entre o preço do mesmo produto nos dois países.

