Enquanto a Tesla segue trabalhando para colocar o Optimus em produção em massa, empresas chinesas já dominam o mercado global de robôs humanoides — e viralizaram nas redes ao mostrar máquinas dando saltos, jogando basquete e se apresentando em shows lotados. O fenômeno tem levado analistas e até o próprio Elon Musk a reconhecer que a verdadeira disputa da robótica humanoide, hoje, está na China.

Os números que impressionam

Segundo dados da Reuters, empresas chinesas foram responsáveis por cerca de 90% dos aproximadamente 13 mil robôs humanoides entregues no mundo todo em 2025. A Unitree, uma das líderes do setor, entregou sozinha 5.500 unidades no ano. Já a Agibot está próxima de faturar 1 bilhão de yuans (cerca de R$ 770 milhões).

O avanço não vem de uma única empresa, mas de um verdadeiro exército de fabricantes: pelo menos 15 montadoras chinesas anunciaram programas próprios de robôs humanoides, segundo a consultoria Kaiyuan Securities — incluindo nomes como BYD e XPeng, que já confirmaram protótipos e datas de estreia para seus próprios modelos.

Por que a China está na frente

A explicação, segundo especialistas do setor, está na base industrial já existente no país: a China já fabrica cerca de 70% dos componentes usados na robótica industrial tradicional. Isso permite que fabricantes de humanoides aproveitem as mesmas fábricas, fornecedores e mão de obra qualificada que já garantiram ao país a liderança no mercado de veículos elétricos — só que agora aplicadas a um novo tipo de produto.

O resultado é uma corrida em paralelo, com dezenas de empresas testando abordagens diferentes ao mesmo tempo, em uma velocidade que, segundo analistas, nenhuma companhia sozinha conseguiria acompanhar.

O que diz Elon Musk sobre isso

O próprio Musk já reconheceu publicamente a força dos concorrentes chineses. Em comentários nas redes sociais, ele classificou como "impressionantes" vídeos de robôs da Unitree realizando manobras acrobáticas e chegou a elogiar o humanoide da XPeng. "Tenho grande respeito pela concorrência chinesa. Há tanta gente inteligente e trabalhadora na China", afirmou o bilionário.

Segundo reportagem da Rest of World, Musk reconheceu que os robôs Optimus da Tesla não devem ficar prontos para lançamento comercial antes do próximo ano — reforçando que, por ora, a vantagem de escala está do lado chinês.

E a Tesla, como fica?

A Tesla segue apostando pesado no Optimus: a fábrica de Fremont, na Califórnia, está sendo adaptada para a produção em massa do robô, com meta de até 1 milhão de unidades por ano só nessa unidade — e outra linha na Gigafactory do Texas projetada para produzir até 10 milhões de unidades anuais. A empresa também expôs o Optimus recentemente em uma feira de eletrônicos em Xangai, sinalizando que pretende disputar espaço diretamente no mercado chinês.

Ainda assim, a Reuters aponta que a própria Tesla agora mira vendas públicas do robô apenas a partir do fim de 2027 — um prazo que, por ora, deixa os concorrentes chineses na dianteira.

Por que isso importa

A disputa pelos robôs humanoides deixou de ser ficção científica e virou uma corrida industrial real, com implicações diretas para manufatura, logística e até o mercado de trabalho nos próximos anos. E, pela primeira vez em uma tecnologia de ponta desse porte, é a China — e não o Vale do Silício — que está na liderança.