Guarda-chuva na bolsa, casaco à mão e céu cinza pela janela. Depois de vários dias marcados por chuva e temperaturas mais baixas, uma pergunta parece unir cariocas e paulistas nesta segunda-feira (14): afinal, quando vai parar de chover?

A resposta é animadora, mas exige um pouco de paciência. A sequência de tempo instável no Sudeste começa a perder força ao longo desta semana, embora a melhora não aconteça de uma vez. A frente fria associada a um ciclone extratropical que avançou pelo Centro-Sul está se afastando gradualmente para o oceano, reduzindo as condições para chuvas mais persistentes.

Em São Paulo, onde a chuva tem sido especialmente intensa, a mudança começa a ser percebida a partir desta terça-feira (15). Segundo a Climatempo, a precipitação perde força, embora a quarta-feira (16) ainda deva ser marcada por muitas nuvens. As aberturas de sol ficam mais perceptíveis na quinta-feira (17).

A sexta-feira (18) promete trazer um alívio maior para quem já não lembra onde guardou os óculos de sol. A previsão consultada pela CNN Brasil indica 0% de chance de chuva na capital paulista, com máxima chegando aos 21°C. Até lá, no entanto, o frio continua: os termômetros devem permanecer abaixo dos 20°C até quinta-feira.

São Paulo vive um setembro fora do comum

A sensação de que “não para de chover” não é apenas impressão dos paulistas. Até as 9h de sábado (12), a estação do Mirante de Santana, na Zona Norte da capital, havia registrado 198,2 milímetros de chuva apenas em setembro. O volume coloca o mês, até aquele momento, como o quarto setembro mais chuvoso em São Paulo desde o início da série histórica, em 1943.

A chuva dos últimos dias também trouxe consequências mais graves. Alagamentos, enxurradas, deslizamentos e transbordamentos foram registrados em diferentes pontos da capital, da Região Metropolitana e do interior paulista. Nesta segunda-feira, áreas do estado ainda permaneciam sob alerta de perigo para tempestades.

E no Rio de Janeiro?

Para os cariocas, a trégua deve ser um pouco mais lenta. Depois de um fim de semana de tempo fechado, a cidade começou a segunda-feira ainda sob influência das instabilidades. O Centro de Operações e Resiliência do Rio prevê chuva fraca a moderada ao longo desta segunda e novas pancadas isoladas na terça-feira (15), provocadas por áreas de instabilidade associadas à formação de um sistema de baixa pressão.

A tendência para os dias seguintes, contudo, é de diminuição da instabilidade conforme a frente fria se distancia pelo Atlântico. Ainda assim, a umidade trazida do oceano pode manter muitas nuvens sobre o litoral do Rio de Janeiro, o que significa que a volta do sol não necessariamente virá acompanhada de uma mudança imediata para dias completamente abertos.

Por que está chovendo tanto?

A sequência de chuva é resultado de uma combinação de sistemas meteorológicos. Desde 9 de setembro, uma área de baixa pressão ganhou força entre o Sul do Brasil e o Paraguai. Dois dias depois, houve a formação de uma frente fria, enquanto um corredor de ar quente e úmido vindo da Amazônia alimentava novas áreas de instabilidade sobre Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia já havia previsto um setembro mais úmido em diferentes áreas do Sudeste. Para o período entre 8 e 15 de setembro, o órgão indicava os maiores volumes de chuva justamente entre o Sul e o Sudeste, com acumulados superiores a 100 milímetros em alguns pontos.

A chuva, portanto, começa a dar espaço a condições mais estáveis durante a semana, principalmente em São Paulo. No Rio, o guarda-chuva ainda não deve ser aposentado imediatamente. E mesmo quando a precipitação diminuir, o casaco pode continuar necessário: a massa de ar frio que acompanha o sistema ainda deve segurar as temperaturas por mais alguns dias.

Em resumo: para os paulistas, a melhora começa na terça e fica mais evidente entre quinta e sexta. Para os cariocas, a terça ainda tem chance de chuva e a estabilização ocorre de forma mais gradual ao longo da semana. O sol está voltando, só resolveu fazer suspense