Carioca, formada pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Beatriz Milhazes é hoje um dos nomes mais respeitados da arte brasileira contemporânea e um raro exemplo de artista que conquistou primeiro São Paulo, depois o Brasil inteiro, e por fim o mundo, sem nunca abrir mão de uma linguagem profundamente brasileira. Seu trabalho é reconhecido por unir rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, resultado de sua paleta exuberante. As referências que ela transforma em vocabulário próprio vêm diretamente da cultura popular brasileira: arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tradicional e grafismos indígenas.
A mostra reúne, pela primeira vez, 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, fruto de uma colaboração contínua entre a artista e Jean-Paul Russell, fundador da Durham Press, importante estúdio de edição de gravuras sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. Com curadoria de Renato Menezes, a exposição evidencia uma dimensão menos conhecida da prática de Milhazes, marcada pela experimentação técnica e pelo domínio de processos gráficos em grande escala, algumas peças chegam a quase dois metros de largura.
Um detalhe que reforça a raridade do acervo: parte significativa dessas obras passou a integrar o museu depois de doações feitas em 2009 e 2024, o que faz da Pinacoteca o único museu do mundo a reunir esse conjunto de forma completa. Ou seja: não dá pra ver essa coleção específica em nenhum outro lugar do planeta.
Vale lembrar também a dimensão internacional da artista, que ajuda a explicar por que essa exposição é tão significativa: Milhazes está presente nas coleções permanentes de instituições como MoMA, Guggenheim e Metropolitan, em Nova York, além da Tate Modern, em Londres, e do Centre Pompidou, em Paris, e representou o Brasil na 50ª Bienal de Veneza, em 2003, com participação de destaque também na edição de 2024. Recentemente, o Guggenheim de Nova York ainda dedicou uma retrospectiva individual ao seu trabalho.
Serviço:
Exposição: Beatriz Milhazes — gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
Local: Pinacoteca de São Paulo, edifício Pina Estação, 2º andar (Largo General Osório, 66, Santa Efigênia)
Período: de 16 de maio de 2026 a 14 de março de 2027
Horário: quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até as 17h)
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Gratuidade: aos sábados e no segundo domingo de cada mês
Quem passar por São Paulo tem tempo de sobra até o início de 2027 para conferir de perto essa produção rara e, sair de lá entendendo por que Milhazes é, hoje, uma das maiores pontes entre a estética brasileira e o circuito internacional de arte contemporânea.

