A Anthropic, empresa por trás do chatbot de inteligência artificial Claude, deu passos concretos em direção a uma abertura de capital que pode se tornar uma das maiores da história do mercado financeiro. Segundo reportagens do Financial Times, a companhia fez um pedido confidencial de IPO junto à SEC (a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) em 1º de junho de 2026, mirando uma listagem na Nasdaq já em outubro deste ano.

Um valuation que pode chegar a US$ 2 trilhões

De acordo com o Financial Times, a Anthropic estuda uma avaliação de mercado que pode chegar a US$ 2 trilhões — o que tornaria o IPO maior até do que o da SpaceX, de Elon Musk, e um dos maiores já realizados na história das bolsas americanas. Bancos como Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley estariam entre os líderes da oferta, que poderia movimentar mais de US$ 60 bilhões.

Vale destacar que a Anthropic, oficialmente, ainda não confirmou data nem valores: em comunicado à Reuters, um porta-voz da empresa afirmou que a companhia "não decidiu quando, ou mesmo se, vai abrir capital". Ainda assim, o avanço nos preparativos — incluindo a contratação do escritório de advocacia Wilson Sonsini, que assessora a empresa desde 2022 — indica que o movimento é tratado internamente como algo cada vez mais concreto.

Os números por trás da ambição

O apetite do mercado por ações da Anthropic é sustentado por um crescimento acelerado de receita. Estimativas indicam que a empresa pode encerrar 2026 com uma receita anualizada em torno de US$ 26 a 30 bilhões — um salto expressivo frente aos anos anteriores. A base de clientes corporativos também cresceu rapidamente: a companhia soma hoje mais de 300 mil clientes empresariais, incluindo oito das dez maiores empresas do ranking Fortune 10.

Outro dado que chama atenção do mercado: uma análise recente estimou que cerca de 4% de todos os commits públicos feitos no GitHub no mundo hoje são gerados com apoio do Claude Code, ferramenta de programação assistida por IA da empresa.

O contraponto: uma empresa que ainda não dá lucro

Apesar do crescimento acelerado, a Anthropic segue longe da lucratividade. A empresa planeja investir cerca de US$ 19 bilhões em computação para treinamento e inferência de modelos só em 2026, e projeções indicam que ela não deve se tornar lucrativa antes de 2028. O CEO Dario Amodei já declarou publicamente que um atraso de 12 meses no ritmo de avanço da inteligência artificial poderia, em tese, levar a empresa à falência — um lembrete de como o setor de IA generativa ainda opera sob margens apertadas apesar das avaliações bilionárias.

De olho na rival OpenAI

O movimento da Anthropic acontece em paralelo aos próprios planos da OpenAI, criadora do ChatGPT, que também estuda abrir capital, com uma valorização que pode chegar a US$ 1 trilhão. As duas empresas, antigas parceiras que hoje disputam diretamente o mercado corporativo de IA, protagonizam assim mais um capítulo da corrida bilionária entre os principais laboratórios de inteligência artificial do mundo.

Por que isso importa

Se confirmado, o IPO da Anthropic marcaria um momento decisivo para o setor de inteligência artificial: pela primeira vez, investidores comuns teriam acesso direto a ações de uma das empresas que definem os rumos da IA generativa — um mercado que, até agora, se manteve quase inteiramente restrito a fundos de venture capital e grandes investidores institucionais.