O Roberto eu conheço de um jeito bem prático, primeiro: ele é cliente meu, lá de Curitiba, DJ de mão cheia que embala festa com o mesmo entusiasmo que embala a torcida no Maracanã, em Quito, em qualquer canto do mapa onde o Mengão estiver jogando. Só que o que começou como relação de trabalho virou amizade de verdade — dessas que só o futebol sabe construir. Porque quando você descobre que o cliente também é aquele tipo de torcedor que compra passagem sem pensar duas vezes, larga a agenda e embarca atrás do time, a relação muda de patamar. Vira parceria de viagem, vira grupo de WhatsApp, vira "bora que o jogo é semana que vem e ainda dá tempo".
O Alex entrou na minha vida de um jeito mais indireto, mas igualmente certeiro: é amigo do Victor Miguel, que um dia trouxe ele pro grupo do Flamengo Inesquecível, e de lá pra cá o cara virou parte do time. E aqui vai o detalhe que todo mundo do grupo já sabe e concorda: os áudios do Alex são patrimônio. Não tem uma resenha, uma provocação, um resumo de jogo que não fique melhor depois que o Alex manda o dele. É aquele tipo de torcedor que narra a própria vida como se fosse locução de gol no fim do jogo — e o grupo é testemunha disso todo santo dia.
Juntos, Roberto e Alex fazem parte de um time à parte: o dos loucos que não esperam o jogo vir até eles, vão atrás dele. Fomos a Quito agora, pelas quartas de final da Libertadores, encarar os 2.850 metros de altitude do Atahualpa — e não foi a primeira, nem vai ser a última. Esses dois já perderam a conta de quantos estádios, quantas cidades, quantos aeroportos já viraram parte da rotina só porque o Flamengo estava jogando ali. E, sejamos sinceros, nem sempre dá tudo certo: já teve furada de sobra pelo caminho — daquelas que na hora dá um certo desespero, mas que seis meses depois viram a melhor história pra contar no jantar. É assim que se forma torcedor raiz: não é só estar no dia da vitória, é sobreviver junto às roubadas do caminho e rir de tudo depois.
No fim, essa é a beleza que o futebol tem e que poucas coisas na vida conseguem replicar: te dar amigos que você nunca teria cruzado se não fosse pela camisa que veste. O Roberto eu ganhei através do trabalho e fiquei com ele pela torcida. O Alex eu ganhei através de um amigo e fiquei com ele pelos áudios impagáveis e pela cara de pau de topar qualquer viagem. Comum entre os dois: o Mengão no peito e a mala sempre pronta.
Enquanto o time segue vivo na briga pela Libertadores, a gente já sabe: onde o Flamengo for, alguém desse grupo vai estar lá. De preferência, gravando um áudio contando como foi.

