O fundador da Pedrotti Flores acumula mais de 30 anos de experiência e projetos realizados em mais de sete países, entre eles Itália e Portugal.
A relação de André Pedrotti com as flores começou ainda na infância. Filho de Wanderley Pedrotti, referência em decoração floral, ele cresceu acompanhando o trabalho do pai e conheceu cedo os bastidores dos eventos. A garagem de casa fazia parte dessa rotina e, desde os 9 anos, André já ajudava a organizar materiais e acompanhava montagens.
André Pedrotti ao lado do pai, referência importante em sua história | Foto: Arquivo pessoal
Foi nesse ambiente que flores, produção e execução começaram a fazer parte de seu repertório. Anos depois, a experiência ganharia estrutura empresarial com a fundação da Pedrotti Flores, em 2000. A empresa se consolidou como uma das maiores do país no segmento de design floral, enquanto André soma hoje mais de três décadas de carreira e centenas de eventos realizados, de celebrações menores a grandes produções.
Com o crescimento da marca, o trabalho também atravessou fronteiras. A Pedrotti já levou seus projetos a mais de sete países, entre eles Itália e Portugal, além de ter sido responsável pela chegada de flores exclusivas ao mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, ampliou sua atuação para uma visão mais abrangente do evento, na qual design floral e cenografia fazem parte da construção dos ambientes.
A origem desse olhar, entretanto, continua ligada à natureza. Em sua palestra “Natureza que vende”, o profissional parte justamente do contato com o ambiente natural para falar sobre sensibilidade estética, técnica, vivência e construção de repertório visual.
Um repertório construído antes do arranjo
O repertório visual ocupa um lugar central na maneira como o designer floral aborda o trabalho com flores. Construído a partir da vivência e do contato com a natureza, ele influencia as escolhas realizadas ao longo de cada projeto e a forma como os elementos naturais são incorporados à proposta.
Nesse processo, sensibilidade estética e técnica aparecem acompanhadas de questões concretas relacionadas à execução. Durabilidade, logística, riscos e a capacidade de defender determinadas escolhas diante do cliente também fazem parte das decisões que envolvem o uso de elementos naturais.

André Pedrotti trabalha cada arranjo a partir da combinação entre espécies | Foto: Arquivo pessoal

Composição reúne orquídeas, folhagens e cores vibrantes em diferentes alturas | Foto: Acervo da marca
Essa visão ajuda a explicar por que o trabalho da Pedrotti não se restringe aos arranjos. A atuação inclui cenografia e considera a integração entre decoração e ambiente durante o desenvolvimento de cada proposta. No material apresentado pelo profissional, estilos como clássico, romântico, contemporâneo, orgânico e minimalista aparecem associados à adaptação ao perfil do cliente e às características do espaço.
As cores entram nessa construção com a mesma lógica. Em vez de serem tratadas somente como tendência visual, aparecem relacionadas ao conceito do evento, às sensações produzidas e ao equilíbrio entre escolhas mais seguras ou ousadas. André também coloca essa discussão diante de outra questão recorrente no setor, a diferença entre tendências e soluções capazes de manter sua força com o passar do tempo.
Natural, permanente e o que cada projeto realmente precisa
Outra discussão presente no trabalho é a relação entre elementos naturais e permanentes. Durante a sua palestra no Congresso Internacional Wedding Plus, André aborda a necessidade de quebrar preconceitos em torno dos materiais permanentes e discute onde eles podem ser utilizados sem comprometer a sofisticação do projeto.
A combinação entre natural e permanente também aparece como uma possibilidade dentro do design floral contemporâneo.
A escolha, portanto, não parte de uma regra única. Orçamento, durabilidade, logística e condições de entrega entram na avaliação dos recursos que fazem sentido para cada projeto. A decisão estética continua relevante, mas precisa conviver com as demandas práticas da execução.
A sazonalidade ocupa papel importante nessa equação. Nem toda flor está disponível da mesma maneira durante o ano, e insistir em determinada espécie pode elevar custos ou criar dificuldades que poderiam ser resolvidas por outras escolhas. Por isso, planejamento com o cliente e alternativas criativas aparecem entre os pontos defendidos pelo profissional.
Essa leitura técnica também afasta o design floral da simples reprodução de referências. Disponibilidade, sazonalidade, conceito e condições de execução precisam ser consideradas antes da montagem. A própria palestra chama atenção para o risco de copiar imagens e soluções ao discutir a diferença entre tendências consistentes e modismos.
A engenharia por trás da decoração
Se o resultado final costuma ser percebido primeiro pela estética, boa parte do trabalho acontece nos bastidores. Logística, equipe, timing, integração com outros fornecedores e capacidade de responder a imprevistos fazem parte do que André apresenta como a “engenharia da decoração”.
Nesse processo, o projeto percorre um caminho que vai do briefing à montagem. Organização da equipe, logística e articulação com os demais profissionais precisam funcionar de maneira coordenada, enquanto a gestão de imprevistos também entra na rotina da execução.
É dentro dessa lógica que a atuação 360º da Pedrotti ganha uma dimensão prática. O trabalho não termina na escolha das flores. Pesquisa, desenvolvimento, planejamento e cenografia participam da construção do resultado, enquanto a execução exige que diferentes decisões funcionem em conjunto.

Instalação suspensa transforma flores cor-de-rosa em elemento cenográfico de destaque | Foto: Acervo da marca

Flores em tons claros revelam a delicadeza presente no trabalho floral | Foto: Acervo da marca

Arranjos orgânicos unem flores, folhagens e diferentes volumes na decoração | Foto: Acervo da marca
Entre tendências e o futuro do design floral
André também diferencia tendências reais de modismos. A discussão passa pelo que permanece, pelo que já chegou à saturação e pelos riscos de reproduzir referências sem uma leitura crítica.
Essa reflexão alcança também o futuro da decoração. Sustentabilidade, reuso, consciência e novos materiais aparecem entre os temas levantados pelo profissional ao pensar os próximos caminhos do setor.
Assim, inovação não fica restrita à procura por uma nova flor ou por uma composição visual inédita. Ela também passa pela revisão dos materiais empregados, pela compreensão da logística e pela capacidade de encontrar soluções adequadas a cada projeto.
Décadas depois das primeiras montagens acompanhadas ainda na infância, existe uma linha clara entre o aprendizado ao lado de Wanderley Pedrotti e a atuação que André desenvolve atualmente. A escala dos projetos mudou, a empresa ganhou presença internacional e novas técnicas entraram no processo, mas a natureza continua no centro dessa construção.
Na conclusão de sua palestra, André resume essa relação em uma frase que também ajuda a explicar sua trajetória profissional: “A natureza bem usada não é custo. É estratégia.”

